Manaus terá disponibilidade de água em nível crítico até 2040, alerta estudo
Paulo Vitor Castro – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A maior parte de Manaus pode enfrentar dificuldades para garantir água suficiente até 2040, com risco de oferta insuficiente. O alerta está no estudo “O desafio da segurança hídrica na região de Manaus e políticas de sustentabilidade”, elaborado pelo Instituto Trata Brasil e pela GO Associados e divulgado nesta quinta-feira, 3/9.
A pesquisa aponta que as mudanças climáticas, o crescimento da população e o aumento do consumo devem pressionar ainda mais a disponibilidade de água na capital amazonense.
De acordo com o estudo, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) classifica a disponibilidade de água de Manaus para 2040 majoritariamente como “classe crítica”. Na prática, isso significa que a quantidade disponível pode não ser suficiente para atender à demanda.

O alerta ocorre após a Amazônia enfrentar, em 2024, uma das secas mais severas já registradas. Naquele ano, o Rio Negro atingiu o menor nível em mais de 120 anos de medições.
Atualmente, Manaus tem cerca de 2 milhões de habitantes e cobertura de abastecimento de água estimada em 97%. A maior parte da água utilizada na cidade vem do Rio Negro, responsável por 84% da oferta. Os outros 16% são provenientes de fontes subterrâneas.
Demanda deve aumentar
O estudo ainda projeta um aumento de 7% na quantidade total de água retirada até 2040. O crescimento, porém, deve ser maior entre a indústria e o abastecimento da população. A demanda da indústria deve aumentar 43%, enquanto o consumo destinado ao abastecimento humano deve crescer 23% no período.
Para os pesquisadores, o avanço reforça a necessidade de planejamento para garantir água tanto para a população quanto para as atividades econômicas.
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Poços preocupam
Outro ponto de atenção é a quantidade de água retirada de poços. O estudo aponta uma grande diferença entre o número de poços registrados e a estimativa de estruturas existentes em Manaus.
Em 2022, a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) registrava quase 5 mil poços. A estimativa apresentada no levantamento, porém, aponta mais de 27 mil poços em funcionamento na cidade.
O estudo sustenta que a falta de acompanhamento e fiscalização pode aumentar os riscos de retirada excessiva de água do subsolo. Entre os possíveis impactos estão a redução da água disponível, problemas no solo e mudanças na qualidade da água.
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