Prefeitura de Manaus inicia projeto-piloto em telessaúde para atender pessoas vivendo com HIV/Aids
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), lançou um projeto-piloto de saúde digital em Telessaúde para Pessoas Vivendo com HIV/Aids (PVHA). Idealizado pela Gerência de Telessaúde (Getes/Semsa), em articulação com a Diretoria de Atenção Primária (DAP) e áreas técnicas, o serviço pretende ampliar o acesso ao cuidado, reduzir barreiras geográficas e apoiar a descentralização do acompanhamento de pessoas vivendo com HIV/Aids na rede de Atenção Primária à Saúde (APS).
A subsecretária de Gestão da Saúde em exercício, Aldeniza Araújo, explica que o projeto organiza a rede municipal para oferecer teleconsulta a partir de uma equipe multiprofissional formada por médico infectologista, enfermeiro, farmacêutico, psicólogo, assistente social e técnico de enfermagem.
“A equipe do SAE irá avaliar e identificar as pessoas que têm perfil para ingressar no projeto, oferecendo a possibilidade de acompanhamento a distância por uma equipe especializada multiprofissional, explicando como tudo funciona. Caso aceite, a pessoa irá assinar consentimento e poderá ser referenciada para equipe de Telessaúde”, informa Aldeniza Araújo.
Nesta primeira etapa, o atendimento ocorrerá de segunda a sexta, das 8h às 17h. O público prioritário para o projeto inclui pessoas vivendo com HIV/Aids com perfil clínico estável para descentralização do atendimento (uso regular de terapia antirretroviral, carga viral indetectável, CD4 estável, sem doenças oportunistas ativas e com doenças crônicas controladas); e pessoas em situação de vulnerabilidade, como pacientes que deixaram de acompanhar sua condição nos serviços de saúde, as que vivem em situação de isolamento geográfico, e a população privada de liberdade.
O atendimento por teleconsulta vai manter a mesma lógica de cuidado que as pessoas que vivem com HIV/Aids já recebem no Serviço de Atenção Especializada (SAE).
No caso de gestantes, os menores de 18 anos e pessoas com carga viral detectável e/ou CD4 abaixo de 200 células/mm³, o acompanhamento segue de forma presencial até que atinjam o perfil indicado para o programa.
De acordo com o gerente de Telessaúde da Semsa, Lindinaldo Gomes dos Santos, o projeto-piloto está iniciando com usuários vinculados ao SAE da policlínica Doutor Antônio Comte Telles, bairro São José, na zona Leste, com objetivo de alcançar até 70% das pessoas atendidas no serviço. Atualmente, o SAE do Comte Telles conta com 3.976 pacientes com cadastro de atendimento ativo.
“Uma das vantagens esperadas é que as pessoas em situação de saúde com necessidade de acompanhamento presencial tenham maior agilidade nos seus atendimentos. Nas fases posteriores do projeto, unidades rurais, prisionais e os consultórios na rua serão integrados à telessaúde. A perspectiva é de que em seis meses de funcionamento seja possível avaliar os resultados, e considerar a expansão do projeto para os outros SAEs municipais”, informa Lindinaldo.
O gerente aponta ainda que o projeto tem como objetivo contribuir para a redução do abandono de tratamento, situação que leva ao agravamento da doença e até mesmo ao óbito.
“Manaus permanece entre as capitais com maiores taxas de detecção e mortalidade por Aids no país. A estratégia com a telessaúde busca fortalecer o vínculo do paciente ao serviço de saúde e a adesão à Terapia Antirretroviral (Tarv), inclusive para quem mora longe das unidades ou encontra dificuldades para manter o acompanhamento presencial. O acompanhamento por videochamada também vai permitir o atendimento em um ambiente mais reservado e de escolha do próprio paciente”, ressalta Lindinaldo.
Rede e tecnologia
O projeto-piloto está sendo desenvolvido com o apoio do Sistema Integrado de Telessaúde (SIT), desenvolvido pela Semsa, através da Gerência de Telessaúde e a Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI). Com integração ao Prontuário Eletrônico do Cidadão (e-SUS/PEC), presente em 100% das unidades de saúde, o novo sistema também permite otimizar o fluxo de atendimento e dar agilidade para o funcionamento da estratégia.
A Semsa elaborou ainda documentos técnicos orientadores, como a cartilha do usuário, protocolo clínico multiprofissional e um manual de implantação, instrumentos que vão orientar os usuários e apoiar o trabalho dos profissionais de saúde na execução do projeto.
Para reforçar as ações de cuidado, a Semsa está desenvolvendo o aplicativo Agente de Saúde Digital (ASD), tecnologia que poderá ser instalado no celular e deverá facilitar o acesso a orientações, receitas e exames.
O projeto-piloto tem uma duração prevista de seis meses, de agosto de 2026 a março de 2027. Os dados serão consolidados e apresentados em abril de 2027, podendo ser prorrogado após avaliação.
Casos
O município de Manaus registrou 1.604 casos de infecção pelo HIV em 2025. Também houve o registro de 544 casos de Aids, que é a condição de saúde causada pelo vírus em estágio avançado e com o comprometimento grave do sistema imunológico, e 233 óbitos pela doença.
Entre janeiro e agosto de 2026, já foram notificados 863 casos de infecção pelo HIV no município de Manaus, com 233 casos de Aids e 130 óbitos.
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Texto – Eurivânia Galúcio/Semsa
Fotos – Divulgação/Semsa
Fonte: Prefeitura de Manaus
