Após intervenção judicial, crise no 6º Cartório de Imóveis de Manaus acumula demissões, atrasos e gera impasse jurídico

Após intervenção judicial, crise no 6º Cartório de Imóveis de Manaus acumula demissões, atrasos e gera impasse jurídico
Redação Rios

MANAUS (AM) – O 6º Ofício de Registro de Imóveis de Manaus enfrenta uma grave crise operacional após cerca de dois meses de intervenção judicial. O cartório, que anteriormente possuía um histórico de excelência e reconhecimento na categoria “Diamante”, hoje sob nova direção, acumula centenas de atrasos no atendimento e demissões em massa.

A unidade vive um momento de tensão desde o afastamento do titular, Aníbal Fraga de Resende Chaves, após ação da Justiça que nomeou a interventora Fabiana Souza Mota como nova responsável pelo estabelecimento. O processo, contudo, é marcado por controvérsias.

Atraso nos prazos

Dados do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR) confirmam um travamento nos serviços da unidade. Até o momento, o sistema oficial registra 422 ocorrências de atraso. O total está dividido em:

  • 270 certidões emitidas fora do prazo legal;
  • 132 protocolos digitais com atraso na entrada;
  • 20 procedimentos de intimação pendentes.

Para tentar conter o problema, a interventora Fabiana Souza Mota solicitou à Justiça a flexibilização dos prazos legais por meio de processo administrativo. 

A medida acendeu um alerta no mercado imobiliário local, visto que, no sistema de registros, o cumprimento rigoroso das datas garante a segurança jurídica de transações e a prioridade legal de contratos.

Disputa administrativa

O processo expõe visões opostas sobre os motivos que levaram ao colapso no atendimento.

Aníbal Resende, contesta as acusações e classifica o pedido de mudança de prazos como uma “confissão” de ineficiência a nova gestão. Ele argumenta que o processo cerceia seu direito de defesa e que decisões importantes, como a prorrogação de prazos, estão sendo tomadas sem direito de defesa, o que considera uma falha grave. 

Além disso, anexou relatórios que apontam atrasos semelhantes em outros cartórios geridos pela mesma interventora, como Canutama e Careiro. Com base na “ineficiência gerencial” da intervenção, o titular requer o seu restabelecimento à unidade.

Por outro lado, a interventora alega que assumiu o cartório em cenário de desorganização e falta de dados básicos. Ela aponta resistência da equipe antiga, citando atestados médicos em massa e a recusa no cumprimento de ordens diretas como fatores que reduziram a capacidade de trabalho.

Demissões em massa e posição da Corregedoria

O conflito interno atingiu o auge em 17 de junho de 2026, com a demissão de mais de 30 funcionários, incluindo profissionais com 16 anos de casa. Os trabalhadores realizaram protestos e denunciaram casos de assédio moral, pressão psicológica e crises de ansiedade na rotina recente da unidade.

A Corregedoria-Geral de Justiça do Amazonas (CGJ-AM) defendeu a legalidade da intervenção. O órgão informou que a fiscalização decorre de indícios de irregularidades em processos de usucapião extrajudicial, que correm em segredo de justiça. 

A Corregedoria justificou as demissões pela falta de governabilidade e “abandono coordenado de postos de trabalho” pela equipe anterior, afirmando que apurará as denúncias trabalhistas e que o foco atual é normalizar o atendimento ao público.

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Fonte: Rios de Notícias

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Redação FG em Foco

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