Lula pode chegar a 40 ministérios no quarto mandato e bater recorde da Nova República

Júnior Almeida – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá iniciar o quarto mandato, em janeiro de 2027, com até 40 ministérios, o maior número desde a redemocratização do Brasil.

Atualmente, o governo federal conta com 38 pastas. O número poderá subir para 39 com a criação do Ministério da Segurança Pública e chegar a 40 caso também avance a proposta de criação de um Ministério do Idoso.

A ampliação da Esplanada ocorre em meio às articulações para a formação do novo governo e às negociações com partidos que devem integrar a base de apoio de Lula 4 no Congresso Nacional.

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Quais ministérios podem ser criados?

Uma das mudanças mais avançadas é a separação da área de segurança pública do atual Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na quinta-feira, 5/11, Lula anunciou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública por meio de uma medida provisória.

A decisão veio após o Senado aprovar, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que amplia a participação do governo federal na coordenação de políticas de combate ao crime organizado.

A nova pasta deverá concentrar ações de integração entre as forças de segurança e articulação com estados e municípios. A estrutura administrativa ainda está em discussão.

Outra possibilidade é a criação do Ministério do Idoso. A proposta está em fase preliminar de discussão e tem relação com a promessa de Lula na eleição, de ampliar as políticas públicas destinadas à população com mais de 60 anos.

Também está em avaliação uma nova estrutura voltada à comunicação digital do governo, com foco nas redes sociais e na discussão sobre a regulação das plataformas. Nesse caso, porém, não há decisão sobre a criação de um ministério independente.

Como era nos governos anteriores?

A quantidade de ministérios passou por mudanças significativas desde o início da Nova República, em 1985.

Os governos petistas registraram os maiores números de pastas, enquanto as gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro reduziram a estrutura administrativa federal.

Durante o segundo mandato de Dilma Rousseff (PT), o país chegou a ter 39 ministérios, marca que poderá ser superada caso Lula confirme a estrutura planejada para 2027.

Veja a comparação histórica:

Governo Número de pastas
Fernando Henrique Cardoso (1º mandato) 26
Fernando Henrique Cardoso (2º mandato) 27
Lula (1º mandato) 30
Lula (2º mandato) 37
Dilma Rousseff (1º mandato) 37
Dilma Rousseff (2º mandato) 39
Michel Temer 29
Jair Bolsonaro 23
Lula (3º mandato) 38
Lula (4° mandato) 40 (Projeção)

Lula começou o atual mandato, em janeiro de 2023, com 37 ministérios e órgãos com status ministerial. Posteriormente, surgiu a criação do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o que elevou o total para 38.

Já Bolsonaro começou a gestão com 22 ministérios e encerrou o governo com 23 pastas. Nas eleições de 2018, o ex-presidente prometeu que governaria com no máximo 15 ministérios.

Por que o governo aumenta o número de ministérios?

A criação de novos ministérios não está relacionada apenas à divisão de tarefas administrativas. A estrutura também tem importância política, principalmente na relação do Executivo com o Congresso Nacional.

Ao distribuir o comando de ministérios entre partidos aliados, o presidente amplia a participação dessas legendas no governo e cria espaços de negociação para a construção de uma base parlamentar.

Esse movimento possui importância no próximo mandato. O PT já iniciou conversas com partidos como MDB, PSD, PSB e União Brasil para discutir propostas de governo e a participação das legendas na futura administração.

Ter mais ministérios significa gastar mais?

A ampliação da estrutura pode gerar despesas com cargos, equipes, instalações e funcionamento administrativo. No entanto, o aumento do número de ministérios não necessariamente, significam que os gastos cresçam na mesma proporção.

Isso porque a criação de uma pasta pode envolver a transferência de secretarias, servidores e estruturas que já existem em outros órgãos.

No caso do Ministério da Segurança Pública, por exemplo, a proposta prevê separar áreas atualmente vinculadas à Justiça. O governo também discute como organizar a nova estrutura administrativa.

O impacto financeiro dependerá do desenho de cada ministério, da necessidade de novos cargos e dos recursos destinados ao funcionamento das pastas.

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