Qualidade do ar atinge pior nível do ano e manauaras pedem soluções por problemas causados pela fumaça

Paulo Vitor Castro – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – Manaus registrou o pior nível de qualidade do ar de 2026, após uma forte concentração de fumaça atingir diferentes áreas da capital amazonense durante a madrugada e a manhã desta quinta-feira, 8/10.

Diante da piora na qualidade do ar, o portal RIOS DE NOTÍCIAS foi às ruas do Centro de Manaus para ouvir moradores sobre os efeitos da fumaça. Entre os relatos estão queixas de calor intenso, cheiro forte de queimado e dificuldades relacionadas à respiração.

A dona de casa Waldete dos Santos contou que a poluição tem afetado a rotina e demonstrou preocupação principalmente com crianças e idosos.

“Infelizmente, nós estamos sofrendo com toda essa poluição causada pela fumaça. As crianças estão com problemas respiratórios, assim como as senhoras idosas, como eu. Hoje eu saí sem máscara, mas tem vezes que eu preciso sair usando máscara por causa da poluição. Infelizmente, nós temos que suportar isso aí. Cadê o nosso governador para ver essa situação das queimadas que estão acontecendo?”, questionou.

A dona de casa Waldete dos Santos – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Leia Também: ‘Vocês não resolvem os problemas de Manaus’: morador denuncia buraco da Seminf no Coroado e critica gestão municipal

A autônoma Valcinete Trindade relatou que percebeu o aumento do calor e da fumaça durante o dia. Ela também mencionou um incêndio que atingiu um lixão clandestino na zona Leste da capital e os efeitos do cenário sobre a saúde.

“Hoje, eu achei muito quente, com muita fumaça, porque também houve aquele incêndio lá na Zona Leste, no caminho para onde eu moro. Isso atingiu muito a gente. Ficou muito quente, com muita fumaça, e isso também prejudicou a nossa saúde”, afirmou.

A autônoma Valcinete Trindade – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)

Valcinete disse que, apesar das condições, precisa continuar saindo de casa para trabalhar.

“Infelizmente, a gente tem que sair de casa e trabalhar, mas que está ruim, está. Ainda não melhorou. Para aquela área de lá (zona Leste), ainda tinha um pouco de fumaça. Espero que melhore porque senão como é que a população vai ficar? Todo mundo doente”, declarou.

Efeitos da fumaça preocupam

O agente de limpeza Nilson Brito afirmou que a fumaça também tem afetado a saúde e chamou atenção para os efeitos sobre pessoas com problemas respiratórios.

“Eu acho que isso está fazendo muito mal para nós, amazonenses, principalmente para aquelas pessoas que sofrem com problemas nos pulmões e têm dificuldades respiratórias. Queria que o poder público tomasse mais providências diante dessa situação que está acontecendo aqui no Amazonas, porque, além da fumaça, o calor e o mormaço prejudicam ainda mais a saúde das pessoas”, disse.

O agente de limpeza Nilson Brito – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notíciais)

A estudante Juliana Baba contou que percebe o cheiro forte de fumaça durante a rotina e também reclamou do calor.

“Eu acho que está sendo difícil para todo mundo, porque a gente consegue sentir o cheiro da fumaça. O cheiro está muito forte e, de vez em quando, dá para ver a fumaça até de noite. Também está muito calor, nem o ar-condicionado está dando conta direito”, afirmou.

A estudante Juliana Baba – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)

Juliana também demonstrou preocupação com os impactos das queimadas sobre comunidades indígenas e a natureza.

“Eu fico pensando na situação dos povos indígenas, lá para o lado da floresta, onde estão acontecendo as queimadas. Acho que eles também estão sofrendo muito, e isso é muito triste, porque a natureza é basicamente a essência da região Norte”, disse.

Pior índice do ano

O pico de concentração de partículas finas chegou a 490,1 microgramas por metro cúbico, segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

O resultado é 71% maior que o pior registro anterior do ano, de 286,2 microgramas por metro cúbico, registrado em setembro. A concentração também ficou mais de 32 vezes acima da referência de 15 microgramas por metro cúbico estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a média de 24 horas.

O post Qualidade do ar atinge pior nível do ano e manauaras pedem soluções por problemas causados pela fumaça apareceu primeiro em Rios de Notícias.

Leia a matéria original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *