‘Oncinha do Amazonas’ faz alerta sobre queimadas: ‘Não conseguimos respirar direito’

Paulo Vitor Castro – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – A indígena Yandra Mawé, de seis anos, conhecida como “Oncinha do Amazonas”, publicou um alerta sobre as queimadas que atingem o Amazonas. Em vídeo publicado na quinta-feira, 24/9, ela falou sobre os impactos do fogo, da fumaça e do calor na vida das pessoas e na natureza.

A menina também defendeu a preservação ambiental e pediu que a população evite práticas que contribuam para a degradação de rios, florestas e outros espaços naturais.

“Sim, estamos sofrendo, sabendo da grande queimada que está acontecendo aqui no Amazonas, perto de onde a gente mora. Essa queimada deixa difícil a nossa vivência com a natureza. E muitas vezes são queimadas criminosas”, afirmou Yandra.

Ela também chamou atenção para o calor e os impactos provocados pela fumaça na respiração.

“Está muito quente, a gente não consegue mais respirar direito. Precisamos de ajuda e precisamos ajudar também. Juntos, conseguimos fazer a diferença”, disse.

Ao final do vídeo, Yandra reforçou a importância da natureza para a vida e falou sobre a tristeza causada pelas queimadas.

“Não joguem lixo no nosso rio. Não pensem que vocês não precisam da natureza. Todos precisamos dela para sobreviver e para viver no mundo. Essas queimadas deixam a gente muito triste. Sem a natureza, o nosso mundo não vive. A natureza não precisa da gente, mas nós precisamos dela”, concluiu.

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Impacto das queimadas

O Amazonas registrou 3.365 focos de queimadas entre 1º e 24 de setembro de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O período coincide com a estiagem no Estado, que favorece a ocorrência de queimadas e contribui para a concentração de fumaça em diferentes regiões.

O alerta de Yandra foi publicado em um dia marcado pela presença intensa de fumaça em Manaus. Na quinta-feira, 24, a capital registrou níveis de poluição elevados, com concentração de partículas finas chegando a 12 vezes acima do valor de referência recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Manaus chegou a registrar 193,5 µg/m³ de MP2,5.

A OMS recomenda concentração média de até 15 µg/m³ de MP2,5 em 24 horas. O material particulado fino pode penetrar profundamente no sistema respiratório e está associado a riscos à saúde, especialmente em períodos de intensa poluição do ar.

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