Candidato à Presidência Renan Santos defende mudanças na Zona Franca e cita fim de incentivos

Paulo Vitor Castro – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) afirmou que pretende revisar os benefícios fiscais concedidos à Zona Franca de Manaus (ZFM) como parte de uma proposta de redução das despesas do governo federal. A declaração foi dada durante entrevista à CNN, em 3 de setembro.

A proposta de Renan prevê um corte de R$ 250 bilhões por ano nas despesas públicas. Entre as medidas apresentadas, o candidato defendeu a revisão de benefícios fiscais federais e citou diretamente a Zona Franca de Manaus entre os setores que pretende modificar.

“O governo vai precisar mexer, a começar pela Zona Franca de Manaus. Só uma empresa chamada Honda, na Zona Franca de Manaus, tem 16 bilhões de reais em renúncia fiscal. Isso é um absurdo. Isso cruza qualquer limite”, afirmou.

Renan também defendeu que a produção de motocicletas seja transferida para estados mais próximos dos principais mercados consumidores.

“Vai fazer moto em São Paulo, em Minas, vai fazer na Bahia, onde tem mercado consumidor. Não faz sentido fazer num lugar que é logisticamente distante. A gente tem que pagar para fingir que está produzindo lá”, disse.

Kim Kataguiri reafirma proposta

A proposta foi reafirmada nesta segunda-feira, 21, por Kim Kataguiri (Missão), candidato a deputado federal e integrante da campanha de Renan Santos. Durante entrevista ao C-Level, Kim voltou a defender mudanças no atual modelo da Zona Franca de Manaus.

Ao abordar a preocupação com os empregos gerados pelo polo industrial, Kim afirmou que seria necessário estabelecer um período de transição antes de qualquer mudança.

“A gente, basicamente, está pagando para ter ineficiência, para produzir um produto que vai ficar mais caro no final, quando ele poderia estar mais perto do mercado consumidor. Ao mesmo tempo, poderíamos explorar a vocação da ZFM em áreas como biotecnologia ou biomedicina, que fazem muito mais sentido do que, por exemplo, uma indústria automobilística ou de bebidas”, afirmou.

Ao detalhar a proposta, Kim afirmou que a mudança não afetaria os trabalhadores de forma imediata e defendeu uma transição gradual do modelo atual.

“É evidente que a nossa indústria vai ficar para trás se o Estado der incentivos que premiem a ineficiência. O que a gente está propondo é substituir esse modelo gradualmente. Obviamente, ninguém vai ser mandado embora da noite para o dia. É preciso estabelecer um plano de transição para essas empresas e, a partir daí, transformar Manaus em um polo de ciência, tecnologia e inovação”, disse.

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