Setembro Amarelo: psicóloga alerta para sinais de sofrimento emocional e importância do acolhimento
Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é lembrado nesta quinta-feira, 10/9, data que reforça a importância de falar sobre saúde mental, acolhimento e prevenção. No Brasil, a campanha Setembro Amarelo busca combater o silêncio e o preconceito em torno do tema, especialmente entre pessoas que enfrentam momentos de sofrimento emocional.
A psicóloga Deisy Bringel participou, nesta quinta-feira, 10/9, do programa Vumbora, apresentado por Sky Rodrigues na Rádio Rios FM 95,7, emissora que alcança diferentes municípios do Amazonas. Durante a entrevista, a especialista falou sobre os sinais de alerta, a importância do diálogo e a necessidade de buscar ajuda profissional.
Segundo Deisy, falar sobre suicídio não estimula a prática. Para ela, abrir espaço para conversar sobre sentimentos e angústias pode ajudar no fortalecimento emocional e na identificação de pessoas que precisam de apoio.
“A gente tem a tendência a achar que, se a gente falar sobre isso, a gente vai estar estimulando. Pelo contrário. Quanto mais presença a gente tiver com as outras pessoas, mais espaço para que a gente fale sobre os nossos sentimentos, sobre as nossas angústias, as nossas tristezas, é um espaço que a gente vai poder construir esse conhecimento emocional e, inclusive, se fortalecer.”
Sinais de alerta
A psicóloga também chamou atenção para comportamentos que podem indicar que uma pessoa está enfrentando sofrimento emocional. Entre eles estão o isolamento, falas marcadas pela desesperança e uma visão mais pessimista sobre a própria vida e sobre o futuro.
Para Deisy, familiares e amigos devem estar atentos e se colocar à disposição para ouvir, sem julgamentos e sem tentar minimizar aquilo que a pessoa está sentindo.
“O primeiro passo é a gente se disponibilizar para fazer isso, estar atentos, estar presente com o outro e deixar que o outro fale um pouco mais de si. A gente não precisa resolver a vida dessa pessoa, mas estar presente e tentar buscar junto a ele soluções para aquilo. ‘Como é que eu posso te ajudar?’ É importante que ela comece a fazer um acompanhamento terapêutico com um profissional especializado.”

Crianças e adolescentes
A psicóloga também destacou a necessidade de atenção ao sofrimento emocional entre crianças e adolescentes. Segundo ela, familiares precisam acolher os sentimentos dos jovens, mesmo quando não compreendem completamente a situação vivenciada por eles. “Por mais que não faça muito sentido para a gente, no universo dessa criança ou desse adolescente, aquilo é importante.”
Deisy também alertou para a influência das redes sociais na vida dos jovens. Segundo ela, quando crianças e adolescentes não encontram espaço de acolhimento na família ou em outros ambientes sociais, podem buscar esse apoio nas redes, onde nem sempre encontram conteúdos ou relações saudáveis.
Orientações
Para quem enfrenta um momento de sofrimento emocional, a psicóloga reforçou que buscar ajuda é fundamental. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Também é possível procurar atendimento na rede pública de saúde, como CAPS e Unidades Básicas de Saúde. Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é buscar uma UPA, pronto-socorro ou acionar o SAMU pelo 192.
Ao final da entrevista, Deisy reforçou que o sofrimento emocional não deve ser encarado como culpa individual. “A saúde mental, assim como qualquer outro adoecimento, ela não é uma culpa sua. Então, buscar ajuda para compreender e para tratar é o melhor caminho.”
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