Caprichoso encerra segunda noite do Festival com a lenda amazônica do ‘Curupira’ e exalta ancestralidade da floresta

Elen Viana – Rios de Notícias

PARINTINS (AM) – A ancestralidade amazônica marcou a apresentação do Caprichoso na segunda noite do 59º Festival de Parintins, neste sábado, 27/6. Com o subtema “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia – O Chão da Vida”, o bumbá azul e preto deu continuidade ao projeto artístico “Brinquedo que Canta seu Chão”, em apresentação com duração de 2h25min.

Nesta noite, o espetáculo destacou a Amazônia como território sagrado e ancestral. Encantados, povos indígenas e manifestações culturais que mantêm viva a identidade da floresta ganharam espaço na arena. Com lendas, alegorias e rituais, o Caprichoso reforçou a preservação da floresta e o valor dos saberes tradicionais.

Ao toque de Raimundo Fernandes, conhecido como Mestre Bacuri, a galera azulada, item 19, foi à loucura, demonstrando toda a sua força. Logo em seguida, o Touro da América fez sua evolução com o tripa Alexandre Azevedo, que recebeu um cocar da indígena Tainá.

Lenda amazônica

A alegoria “Curupira – O Guardião da Vida”, de autoria do artista Roberto Reis, surpreendeu o público pela grandiosidade. O módulo alegórico, que havia sofrido uma queda durante o translado, entrou na arena sem problemas e impressionou pela imponência de seus 37 metros de altura.

A obra retrata o Curupira, um dos seres mais emblemáticos do imaginário amazônico e reconhecido como guardião da floresta. Presente nas narrativas de povos indígenas, ribeirinhos, caboclos e demais populações tradicionais, o personagem atravessa gerações como símbolo da proteção da natureza. A alegoria reforça a visão ancestral de que a floresta é um organismo vivo, em que cada elemento possui um guardião e um princípio vital.

A alegoria trouxe Marciele Albuquerque, Cunhã-Poranga, representando o item 9. Ao som das toadas “Cunhã Tribal”, “Maria, a Deusa Tupinambá” e “Deusa da Guerra”, ela se transformou sobre o palco praticável em uma mutação entre a onça-pintada e a onça-negra.

Marciele Albuquerque, Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso (Foto: Tunico Santos/Rios de Notícias)

Valentina Cid, Sinhazinha da Fazenda, item 7, chegou à arena ao som da toada clássica “Rostinho de Anjo”, protagonizando um dos momentos mais marcantes da apresentação. Durante a evolução, ela se transformou em um beija-flor, com indumentária assinada por Adriano Canto.

Valentina Cid, Sinhazinha da Fazenda do Caprichoso, durante apresentação no 59º Festival de Parintins. (Foto: Tunico Santos/Rios de Notícias)

Um dos pontos altos da apresentação do Caprichoso foi a declamação dos versos de Caetano Medeiros, Amo do Boi, que homenageou Ronaldo Barbosa, um dos maiores compositores e poetas do Festival de Parintins, autor de obras como “Saga de um Canoeiro” e “Pesadelo dos Navegantes”.

Figura típica regional

Com alegoria de Márcio Gonçalves, o bumbá apresentou a figura típica regional “Pescadores e Pescadoras da Amazônia”. Patrick Araujo, levantador de toadas, fez um dueto com Vanessa Alfaia durante a apresentação.

Cleise Simas, Rainha do Folclore e representante do item 8, chegou com uma indumentária inspirada na lenda do boto-cor-de-rosa e fez sua evolução ao som da toada “Boto Romanceiro”, também de Ronaldo Barbosa.

Cleise Simas, Rainha do Folclore do Caprichoso, durante sua evolução no 59º Festival de Parintins (Foto: Tunico Santos/Rios de Notícias)

Os povos indígenas foram representados pelas Tuxauas, em um momento que marcou a estreia da primeira Tuxaua trans do Festival de Parintins, Lup Moara defendeu o item ao som da toada “Tuxaua – A Dança das Morubixabas”, levando representatividade à arena.

Em uma grande arara amazônica, Marcela Marialva, Porta-Estandarte do Caprichoso, chegou à arena na alegoria da Figura Típica Regional “Povo da Floresta – Exaltação Cultural”, reforçando a valorização dos povos tradicionais e da cultura amazônica.

Ritual indígena

Na última parte da apresentação da segunda noite, o Caprichoso encerrou o espetáculo com o “Ritual de Transcendência Asurini – Maraká”. A alegoria, assinada pelo artista Kennedy Prata, trouxe um módulo alegórico que flutuou na arena e apresentou o Pajé Erick Beltrão, que representou o xamã responsável por conduzir o rito.

Na apoteose, o bumbá encerrou a segunda noite de apresentação ao som das toadas “É Hoje” e “ Eu te amo Caprichoso”, levando a Galera Azulada à celebração no Bumbódromo.

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